Denúncia contra ex-bispo investigado por abuso sexual é arquivada pelo Ministério Público
Auriflama - Segunda-feira, 02 de Março de 2026

A denúncia contra um ex-bispo investigado por supostamente estuprar, assediar e importunar sexualmente um padre foi arquivada pelo Ministério Público. O caso foi apurado por meio de inquérito policial instaurado no interior de São Paulo.
A decisão foi assinada pelo promotor de Justiça Paulo Cesar Neuber Deligi, no dia 27 de fevereiro deste ano. Segundo o MP, apesar dos relatos apresentados pela vítima e da confirmação de que houve relações sexuais por parte do então bispo Dom Valdir Mamede, não foram identificadas provas suficientes de violência, ameaça ou coerção que configurassem crime.
De acordo com o documento, como a vítima tinha mais de 18 anos à época dos fatos e os laudos médicos não apontaram sinais de violência física, não foi possível enquadrar o caso como estupro ou assédio sexual.
O que diz a investigação
O suposto crime teria ocorrido em 2023, mas o boletim de ocorrência foi registrado apenas em 22 de março de 2024. O inquérito policial foi instaurado pouco tempo depois.
Em depoimento, o padre relatou que o então bispo da Diocese de Catanduva o teria agarrado e beijado à força, além de praticar violência sexual. Segundo a vítima, o episódio ocorreu na casa do bispo, após ele pedir que o acompanhasse sob a justificativa de estar alcoolizado.
Ainda conforme o relato, após o ocorrido, o religioso teria pedido desculpas e implorado para que o caso não fosse contado a ninguém. A vítima também afirmou que o então bispo realizava chamadas de vídeo nas quais aparecia nu e se masturbava diante da câmera.
Em outro episódio descrito no inquérito, o padre disse que foi obrigado a abrir a porta de sua residência para que o bispo entrasse. Na ocasião, segundo ele, houve nova tentativa de abuso, que teria sido impedida.
Consequências e investigação interna
Dom Valdir Mamede renunciou ao cargo em novembro de 2023.
A vítima informou ainda que denunciou o caso à Nunciatura Apostólica. A investigação interna da Igreja foi conduzida por Dom Moacir Silva, arcebispo de Ribeirão Preto, designado para apurar os fatos no âmbito eclesiástico.
À época, a Diocese informou, por meio de nota, que não pactua com condutas ilícitas praticadas por membros da instituição.
Entendimento do Ministério Público
No despacho de arquivamento, o promotor destacou que reconhece as consequências psicológicas relatadas pela vítima. No entanto, afirmou que a dúvida quanto à existência de consentimento impediu o oferecimento de denúncia criminal à Justiça.
Com o arquivamento, o caso é encerrado na esfera do Ministério Público, salvo se surgirem novos elementos que justifiquem a reabertura da investigação.
