Grávida vítima de exploração sexual e cárcere privado diz que só podia sair de boate com dono ou segurança: 'Até para ir ao médico'

Auriflama - Sábado, 29 de Março de 2025


Grávida vítima de exploração sexual e cárcere privado diz que só podia sair de boate com dono ou segurança: 'Até para ir ao médico'

AURIFLAMA - Uma jovem grávida, que foi vítima da organização criminosa suspeita de explorar sexualmente mulheres e mantê-las em cárcere privado em boates no noroeste de São Paulo, contou que só podia sair do local acompanhada pelo proprietário ou pelo segurança.

A Polícia Civil identificou até esta sexta-feira (28) pelo menos 12 jovens vítimas da quadrilha investigada pelos crimes cometidos em boates em Catanduva (SP), Auriflama (SP), Pereira Barreto (SP) e Aparecida do Taboado (MS). Todas as boates são do mesmo proprietário.

Durante a operação, na segunda-feira (24), a polícia prendeu quatro homens, sendo dois em flagrante por tráfico de drogas. Após um mandado de prisão, os policiais encontraram e prenderam o gerente e o dono dos locais em Auriflama. Um homem identificado como ex-gerente de Catanduva está foragido.

A quadrilha é investigada por organização criminosa, favorecimento da prostituição, cárcere privado, estupro e homicídio.

À TV TEM, a gestante, que não vai ser identificada pela reportagem, disse que até para ir ao médico era acompanhada pelos suspeitos.

"Até quando eu ia ao banco ou resolver alguma coisa, o segurança ia comigo. Eu não poderia sair de dentro da boate se não fosse com o dono, a dona ou com o segurança, até mesmo para ir para o médico o segurança teria que ir junto", explica.

Situação dentro da boate

Durante as apurações, a polícia identificou que as vítimas em situação de vulnerabilidade eram induzidas a trabalhar nas boates e, depois, privadas de sair de dentro dos imóveis, além de ficarem sem alimento, água e acesso a comunicação.

As vítimas também eram forçadas a consumir drogas vendidas pelos administradores das boates e contraíam dívidas. Algumas relataram à polícia que foram estupradas sob ameaças ou como forma de quitação de dívidas.

Um caderno de contabilidade escrito pelos homens suspeitos revela a lista das dívidas por drogas que as vítimas contraíram e até alimentos que consumiam e eram obrigadas a pagar.

Entre as vítimas, está uma adolescente de 14 anos. A mais velha entre elas tem 25 anos. A delegada ainda informou que os portões das boates eram trancados e, quando tentavam sair, pulando o muro para comprar alimentos, as mulheres eram perseguidas e agredidas.

Segundo a delegada responsável pela investigação, Caroline Baltes, a maioria das vítimas conseguiu fugir e fez a denúncia. Durante a operação, a polícia apreendeu drogas, armas, celulares e cadernos de contabilidade. Os estabelecimentos foram fechados e lacrados por determinação judicial.

Por: G1


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